sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Calango Play - The Evil Within


Nada mais justo que nós façamos, em pleno Dia das Bruxas, uma análise deste jogo asqueroso que gerou tanta expectativa para os fãs do gênero survival horror. The Evil Within é um game produzido pela Tango Gameworks, estúdio de Shinji Mikami, o gênio por trás da criação da série Resident Evil. O game reúne vários elementos da velha guarda, como munição limitada, jogabilidade travada, corredores estreitos, ambientes claustrofóbicos, enigmas e armadilhas mortais, o que somado à trilha sonora quase ausente do jogo, consegue gerar um clima de imersão ao jogador. Apesar disso, o game deixa muito a desejar em certos aspectos, e em alguns momentos deixa a tensão e o suspense completamente de lado para seguir um ritmo mais acelerado, ditado pelas sequências de ação, o que pode ser um balde de água fria para os gamers old school que esperavam um retorno triunfal do gênero.


Enredo Psicótico

The Evil Within coloca o jogador na pele de Sebastian Castellanos, um detetive que é enviado junto de sua equipe para investigar uma série de brutais homicídios que aconteceram no Beacon Mental Hospital, uma clínica psiquiátrica. Ao verificar o circuito interno de segurança, o detetive testemunha o assassinato de alguns policiais que também investigavam o local, pelas mãos de um homem misterioso que parece ter poderes sobrenaturais. É nesse momento que o protagonista é surpreendido pelo homem, que o ataca pelas costas. A partir daí, o detetive começa a passar por inúmeros eventos bizarros que misturam horror, alucinações, criaturas grotescas e uma ambientação de arrepiar - um dos pontos mais altos do game.

A trama é bastante intrincada, e não entrega todas as informações de bandeja para o jogador, mas se perde um pouco nos momentos das explicações essenciais. A alternância constante entre o que é realidade e o que é alucinação, e recursos narrativos como flashbacks, confundem propositalmente o jogador, que se sente perdido e sem soluções aparentes frente ao horror daquele mundo caótico. Porém, esses mesmos recursos podem afastar os menos pacientes, por se tratar de uma narrativa fora do convencional.


Gráficos e Sons

Apesar da discrepância entre a qualidade gráfica da versão dos antigos consoles, para a dos consoles da nova geração, é visível que ainda existe um delay de renderização em todas as versões, sendo mais notável na versão do PC, que não teve um capricho adequado e está bem abaixo das demais. A expressão facial dos personagens é falha e deixa muito a desejar, o que é um ponto extremamente negativo em um game focado no horror. Entretanto, os cenários e a ambientação de todo o jogo são excelentes, sendo o maior trunfo do título, sem sombra de dúvidas. As texturas do sangue, fogo e líquidos em geral são bem caprichadas, e a maneira como as luzes e as sombras são utilizadas contribui para aumentar o clima assustador do jogo.

A trilha sonora é quase sempre ausente, destacando apenas os ruídos do cenário e dos personagens e criaturas bizarras, o que mantém a imersão do jogador. Os únicos momentos em que a trilha realmente aparece são em situações de tensão ou perseguição, com músicas excelentes e que sustentam o clima assustador, mas o destaque vai para a música assinatura do jogo, chamada "Clair de Lune" que toca ao fundo quando temos a oportunidade de encontrar um espelho para salvar o game.


Jogabilidade Old School

A jogabilidade do game segue a lógica de títulos old school, e por isso a movimentação é um pouco travada. A mira também é difícil de ser controlada, talvez em uma tentativa de dar um tom mais realista, mas acaba irritando muito em momentos de tensão - o que somado ao número escasso de balas, pode te colocar em uma situação difícil. Aliás, se prepare para morrer várias e várias vezes, não por causa da dificuldade do game em si, mas sim por complicações que, podem até ser propositais, mais frustram demais o jogador. É a velha mecânica da tentativa e erro.

Um grande exemplo disso é que o protagonista não consegue correr mais de 5 metros sem ficar exausto, e a única explicação para isso é o fato dele ser fumante. Exagerado, não? Felizmente, há upgrades que podem ser feitos para contornar essas dificuldades, não sem antes de horas de xingamentos e palavrões. O sistema de evolução é bem interessante, simulando uma espécie de cadeira elétrica, e permite que Sebastian possa melhorar atributos como saúde e vigor, além de aprimorar sua perícia com objetos e armas. Para isso, é preciso coletar uma geleia verde esquisita, que você coleta de inimigos ou ao explorar o cenário.

Se prepare também para andar quase todo o tempo no modo stealth, muitíssimo aconselhado para evitar inimigos e assim, economizar recursos. Fique atento também às armadilhas espalhadas (algumas inclusive, são mortais), e procure sempre desarmá-las, pois as partes coletadas podem ser utilizadas para melhorar sua besta. Se estiver sem poder de fogo, uma dica útil é atrair os inimigos para estas armadilhas e usá-las a seu favor.


Inimigos Bizarros

E por falar em inimigos, eles são bem diversificados. A maioria se assemelha um pouco aos zumbis tradicionais, só que envoltos em uma espécie de arame farpado sinistro. Nem todos são lerdos, e muitos podem carregar armas e outros objetos. Eles parecem ser cegos, e se orientam principalmente pelo som e talvez, pelo cheiro. Mas o grande destaque vai para os inimigos principais, que certamente foram feitos com um cuidado diferenciado. Em especial, a "Spider Lady", uma criatura sinistra que me aterrorizava todas as vezes em que entrava em cena. Não é a toa que os melhores momentos do game são protagonizados por estes inimigos. É nessas horas que The Evil Within se torna um game de terror autêntico, te levando ao verdadeiro desespero.


É importante avisar que alguns inimigos são imortais, e portanto, só nos resta uma única opção: a fuga. Quanto aos inimigos convencionais, é possível utilizar várias estratégias para eliminá-los - ou até mesmo, evitá-los, o que é mais prudente. O fogo, nesse caso, será seu melhor amigo. No decorrer do jogo, você encontrará caixas de fósforo com alguns palitos, que podem ser usados para carbonizar os corpos dos monstros. Isso serve para se livrar de uma vez dos inimigos, e também para liberar passagens bloqueadas por corpos. Há tochas que também podem ser utilizadas para este fim, mas seu uso é único. Muitos dos inimigos também são vulneráveis ao fogo.

Vale a pena?

Apesar das nossas primeiras impressões e de todo o hype que cerca o game desde o seu anúncio, The Evil Within está bem aquém do que prometia ser o retorno triunfal do survival horror, focando bem mais no horror com elementos de ação do que no terror psicológico propriamente dito. Porém, ele não chega a ser uma decepção completa, e cumpre o seu papel de forma satisfatória.

Para os mais experientes, é possível identificar diversos elementos de outros títulos presentes neste jogo, como por exemplo Resident EvilSilent HillAlone in the Dark, só para citar alguns. Isso pode dar uma falsa sensação de que o game trata-se apenas de uma salada de frutas bem planejada, mas seria injusto afirmar que não há ideias originais aqui. O problema é que, em um gênero tão explorado em todas as mídias possíveis, fica difícil surpreender. Mas The Evil Within se esforça, e muitas vezes, consegue. Vale a pena conferir.
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@Brunodyuji

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